Terça-feira, Novembro 17, 2009

Mentiras que contam para Ilustradores

1) “Faça esse trabalho barato (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor”
Nenhum profissional que se preze daria seu trabalho de mãos beijadas na esperança de cobrar mais caro mais tarde. Você consegue imaginar o que um advogado diria se você dissesse “me defenda de graça dessa vez que na próxima vez que eu precisar de um advogado eu te chamo e pago melhor”. Ele com certeza vai rir da sua cara.

2) “Nós nunca pagamos 1 centavo antes de ver o produto final”
Essa é uma pegadinha. A partir do momento que você foi contratado para fazer o trabalho você DEVE pedir uma entrada. O motivo é simples, você está trabalhando desde o momento que se dispõe a fazer a reunião de briefing. Talvez um cliente mais inexperiente queira pagar após ver alguns esboços. Cabe a você aceitar ou não.

3) “Esse trabalho será ótimo para seu portfolio! Depois desse você vai conseguir muitos outros”
Essa é uma das mais típicas. E costuma fazer vítimas principalmente entre jovens que ainda estão estudando. Para não cair nessa, basta pensar “quanto o seu cliente vai faturar com o seu trabalho?”. Além disso, não esqueça que, mesmo que ele indique seu trabalho para outras empresas, com certeza ele dirá quanto custou (ou se foi de graça) e imagine o que os próximos irão querer?

4) Olhando para seus estudos e rascunhos: “Veja, não temos muita certeza se queremos seu trabalho. Deixe esses estudos comigo e vou falar com meu sócio/investidor/mulher, etc e depois te dou uma resposta”
Não dou 5 minutos para ele ligar para outros ilustradores com seus estudos e conceitos criados na mão barganhando melhores preços. Quando você ligar de novo ele dirá que seu trabalho está muito acima do mercado, blá blá blá, e que Fulano-Desenhista-Supimpa vai fazer o trabalho. Mas como eles conseguiram outro desenhista mais barato? Lógico, você já passou o conceito todo criado! Economizou horas para o "ilustrador" que vai pegar o trabalho. Então, enquanto você não entrar em acordo com seu cliente NUNCA DEIXE NADA CRIATIVO no escritório dele!

5) “Veja, o job não foi cancelado, somente adiado. Deixe a conta aberta e continuaremos dentro de um mês ou dois”
Provavelmente não. Seria um erro você não faturar o que foi feito até o momento esperando que o trabalho continue depois. Ligue em dois meses e você verá que alguém estará trabalhando no job. E adivinhe! Eles nem ao menos sabem quem você é… e o dinheiro do início do trabalho, lógico, já era!

6) “CONTRATO?! Nós não precisamos assinar contratos! Não estamos entre amigos?”
Sim, estamos. Até que alguma coisa dê errada ou ocorra um mal-entendido, e você se transforme no meu maior inimigo e eu sou o seu “desenhista estúpido”, aí o contrato é essencial! Simples assim! Ao menos que você não ligue em não ser pago. Qualquer profissional usa um contrato para definir como será o trabalho e você deve fazê-lo também!

7) “Envie-me a conta depois que o material for pra gráfica”
Por que esperar por esse deadline irrelevante? Você é honesto, não? Por que você deveria ficar preso a esse deadline? Uma vez entregue o trabalho, fature! Essa desculpa possivelmente é uma tática para atrasar o pagamento. Assim o material vai pra gráfica, precisa de alterações intermináveis e, adivinhe, ele arranja outra pessoa pra fazer as alterações necessárias, o material vai pra gráfica e você nem fica sabendo!

8) “O último ilustrador fez esse job por R$ XX “
Isso é irrelevante. Se o último ilustrador era tão bom por que ele te chamou? E quanto o outro cobrava não significa nada pra você. Pessoas que cobram muito pouco pelo seu tempo acabam fadadas ao insucesso (por auto-destruição financeira). Faça um preço justo, ofereça no máximo 5% de desconto e não abra mão disso.

9) “Nosso orçamento para esse job é de XX reais”
Interessante, não? Um cara sai para comprar um carro e sabe exatamente quanto ele vai gastar antes mesmo de fazer uma pesquisa. Uma quantia de trabalho custa uma quantia de dinheiro. Se seu cliente tem menos dinheiro e ainda assim você quer pegar o trabalho, dedique menos horas a ele. Deixe isso bem claro ao seu cliente, que você dedicará menos tempo que o estimado para finalizar o trabalho porque ele não pode pagar por mais horas. A escolha é sua.

10) “Estamos com problemas financeiros. Passe o trabalho para nós e, quando estivermos em melhor situação, te pagamos.”
Claro, mas pode contar que, quando o dinheiro chegar, você estará bem lá no final da lista de pagamentos. Se alguém chega ao ponto de admitir que está com problemas financeiros então provavelmente o problema é bem maior do que parece. Além disso, você por acaso é um banco para fazer empréstimos? Se você quer arriscar, pelo menos peça dinheiro adicional pelo tempo de espera. Um banco faz isso, não faz? Por que provavelmente esse é o motivo deles quererem atrasar seu pagamento, ter 6 meses de dinheiro “emprestado” sem ter que pagar juros, o que não aconteceria se ele tivesse que emprestar do banco. Não jogue dinheiro fora!

O motivo de tudo isso não é deixar você paranóico ou coisa do tipo, mas sim injetar um pouco de realidade no mundo de fantasia da maioria dos ilustradores e designers. Você certamente vai tratar com pessoas muito diferentes de você. As motivações e atitudes certamente são diferentes. Eu infelizmente vejo, muitas vezes, exemplos de pessoas envolvidas em situações com a mais nobre das intenções e acabam literalmente se dando mal. Porque a maioria dos ilustradores enxergam os trabalhos como uma oportunidade de fazer aquilo que mais gostam com dedicação, simplesmente porque amam o que fazem! A outra parte não tem a negociação tão idealizada ou romantizada, muito pelo contrário.

Como lidar com todas essas coisas e ainda assim fazer um trabalho criativo? Boa pergunta! É por isso que ir atrás da informação é importante. Você aprende a trabalhar com todas as técnicas de ilustração, mas não aprende a arte da negociação. Muitos profissionais de Design, ilustração e animação ignoram este aprendizado, o que é um grande erro. Sugiro que o mínimo seja incorporado, assim certamente você não sentirá seu trabalho como uma grande perda de tempo e dinheiro!


Texto original: Painter Creativity - Top 10 Lies told to Naive Artists and Designers.
Tradução: Débora Behar.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Crianças - A Alma do Negócio

Tempos atrás se falou brevemente nos jornais sobre as restrições impostas sobre comerciais de cerveja - seja TV ou mídia impressa - onde a mulher é imposta como um objeto sexual. Até que ponto a lei foi rigorosa não sabemos, porém vemos a boa criatividade que os comerciais tem desenvolvido nos últimos tempos e é evidente as mudanças que fizeram com relação a manipulação da figura feminina.

Após isso, circulou outra lei restringindo o uso de crianças. Essa sim deu o que falar, visto que dizer que a nudez da mulher é impróprio para uso de publicidade cervejeira, tudo bem. O problema de se julgar um comercial como ilícito ou não é algo que as vezes sofre com as dúvidas que surgem da interpretação da lei. Até que ponto é proibido a imagem de uma criança em um comercial? Até que ponto uma criança pode se expressar a favor de algum produto? Etecéteras e mais etecéteras...

O vídeo abaixo é uma versão reduzida de uma série de 6 episódios de um documentário chamado "Crianças - A Alma do Negócio", desenvolvida pela produtora Maria Farinha Produções.




A lista completa dos vídeos poderá ser visto em uma lista do YouTube (aqui). Se quiser baixar os vídeos, no site do Projeto Criança e Consumo há um link para download.

É verdade que os comerciais estão numa corrida capitalista de influência (corrompedora) sobre as crianças para que "forcem" os pais a adquirir este ou aquele produto. É comum no meio publicitário vermos peças cada vez mais persuasivas, afinal a mídia vive de ser persuasiva. Se não fosse, perderia sua função e por fim sua existência. O problema não está nas agências e produtoras, pois não passam de intermediadores - facilitadores, comunicadores entre o povo e as empresas. O problema está na estratégia de guerrilha das empresas.

Quem aprova o briefing da agência são os diretores das empresas, quem aprova a verba ou briga por ela ou cancela tudo são os diretores das empresas... portanto, os maiores responsáveis pelo conteúdo dos meios de comunicação não são as empresas de comunicação e sim os contratantes! Não preciso dizer que a culpa por alguém comprar um sapato apertado não é do vendedor da loja e muito menos da loja.

(O blog da Comunica! compartilha deste post).

Sábado, Novembro 07, 2009

Branca de Neve em Blue-ray

O blue-ray ainda não se propagou no varejo e a Disney já está lançando seus clássicos no novo formato. O primeiro, não poderia ser outro do que a Branca de Neve - o clássico dos clássicos. O mais suado, temido e estressante trabalho que a Disney já se deparou, não poderia ter sido o primeiro DVD lançado em blue-ray por menos: foi o primeiro longa do estúdio em uma era onde a tecnologia não sonhava com a palavra "informática". Os estúdios estavam começando sua longa e pioneira carreira e já respiraram o ar da crise ao se deparar com o orçamento e o prazo mega estourados.

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

WWF - Knock-On

Animação é sempre um assunto divertido e quando vemos algum trabalho de qualidade recebendo seu devido mérito percebemos um sentimento altruísta de contentamento tomar conta do coração.

A WWF (United Kingdom) aprovou a campanha da agência Bostock and Pollit de Londres, onde o vídeo apresenta a importância de cada um fazer a sua parte e as consequências destas ações como um efeito dominó. Show de bola com direito a replay. O vídeo foi aprovado pela ONG e já corre meio mundo recebendo os merecidos louros pela campanha.


A responsabilidade social se torna mais persuasiva quando é impulsionada pela mídia, visto que por sua vez impulsiona as massas. Infelizmente o que falta ao ser humano é iniciativa e é esse empurrãozinho que as instituições tentam dar, como é o caso da ONG WWF. A sacada de se utilizar animação é sempre um bom recurso visto que penetra rápida e eficientemente em nossas mentes e se mantém por mais tempo vívida, visto que um discurso ou algum texto poderia cair mais facilmente no esquecimento - nada contra os materiais impressos, mas pense em quanto lixo evitamos por se utilizar recursos de vídeo e quanto podemos atingir em número de usuários em relação ao material gráfico. Sem contar que os recursos visuais praticamente não necessitam de tradução (para se introduzir na mente), e por aí vai...

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

Cérebro e Design

Há muito tempo o homem tenta encontrar respostas para o gosto popular - seja o que for - musical ou estético. Mas a medida que a neurociência avança vemos cada vez mais motivos para nos abismar diante da complexidade de nossa formação biológica. Entre elas, encontra-se a razão de nossos gostos pela forma, pelo design e principalmente, o mistério da interpretação artística.

E é diante desta fantástica movimentação filósofo-neurológica que o Designer de Informação Tom Wujec compôs sua palestra sobre como o cérebro reconhece as formas. Vale muito a pena.



Clique aqui para ver em português.
A busca por respostas técnicas no campo da estética vem desde os gregos. Os fundamentos do valor de Pi e o ângulo perfeito determinam o desejo e a desconfiança por um denominador comum entre os considerados padrões estéticos. As formas atrativas vem sendo estudadas e hoje graças as revoluções nos estudos das relações entre a emoção e o raciocínio vemos resultados surpreendentes que nos permitem conhecer a si próprios e consequentemente fazer uma triagem da convulsão de sentimentos que representa o coração humano.
Mas isto é outro assunto.
=)

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Harlan Ellison X Desvalorização

(Em primeiro lugar gostaria de agradecer ao Montalvo Machado pelo post genial e ao trabalho que dispôs de traduzir o vídeo abaixo e de disponibilizar este material).
Vemos todos os dias a crescente prostituição do mercado. A quantidade de "profissionais" rodando a bolsinha é algo desanimador, que nos rouba a paciência e o desejo de seguir numa estrada onde a luz no fim do túnel ainda parece uma faísca. Me perderia noite adentro falando sobre isto mas enfim, segue abaixo um vídeo de uma entrevista/monólogo/desabafo um tanto áspero - porém realista - do escritor Harlan Ellison esculachando os amadores que desvalorizam a classe dos profissionais pela maneira irresponsável e suicida de trabalharem de graça em troca do glamour da "visibilidade".


É incrível que este tipo de comportamento parece ser uma tendência entre os iniciantes (e entre muitos marmanjos kamikazes)... um verdadeiro denominador comum entre os ávidos por visibilidade. Infelizmente isto está longe de deixar de existir, mas o problema maior é que o mercado nunca volta a ser como antes. Se você diz que há algum tipo de serviço gratuito, ninguém nunca mais vai querer pagar um centavo por ele. Consequentemente os que são pagos ficam desvalorizados e a demanda cai - ou seja, um círculo vicioso. A demanda cai por que ninguém paga mas se ninguém paga não há demanda.

United breaks guitar

O cantor e compositor canadense Dave Carroll teve seu violão quebrado por funcionários da companhia aérea United Airlines antes mesmo de decolar quando faria uma viagem aos EUA com a banda. O violão teve um reparo de US$ 1,400.00 os quais foram negados como indenização pela companhia. Após várias tentativas sem sucesso o cantor se cansou de esperar por uma postura mais flexível por parte da empresa e resolveu se vingar de uma forma mais moderna: no YouTube.



A vingança foi uma sacada bem bolada de marketing e a paródia de Dave Carroll correu mais de 5 milhões de cliques. Evidentemente, diante desta "queimada" a companhia tentou reparar os danos, inclusive morais, mas agora o cantor se nega a receber algo e não arreda o pé de tirar o vídeo do YouTube. Nada mais lógico.
O acontecimento lhe rendeu algumas entrevistas, em uma delas pela CBN News (aqui) Carroll comenta que um violão como aquele custava em torno de US$ 35,000.00... putz, a paródia foi pouco hein?!