Quinta-feira, Fevereiro 17, 2011

Aquarela (1983) - Toquinho

Escrevo aqui um post sobre um clássico das músicas infantis que conquistaram inclusive o público adulto há quase 30 anos.. "Aquarela" de Toquinho, Fabrizio, Morra e Vinícius de Moraes.

O que mais me chama a atenção nesta música é o realismo e a simplicidade da forma como o artista se refere ao futuro de cada ser humano. A imaginação da sequência do muro, a astronave e o percurso através do tempo retratam o destino humano impotente diante do imprevisto e das surpresas.  Acredito que a grande sacada de uma música para que se torne popular seja, além da melodia de fácil absorção, uma letra passível de múltiplas interpretações. Como é o caso de músicas românticas, por exemplo, onde todos se identificam de alguma forma... independente de termos êxito num romance ou não.

"Aquarela" é justamente uma música que, além de ter uma melodia agradável e serena, tem uma poesia madura e instiga os sentimentos (bons e ruins) que interpretamos de nossas vidas - medite neste trecho:

"... E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar,
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar.
Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar.
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá.
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar..."

Confira abaixo uma animação produzida em 2003 pelo estúdio "Laboratório de Desenhos" para a Editora DELTA junto com o Mundo da Criança onde o compositor Toquinho é parceiro. (Lembrando que a animação conhecida na época foi um comercial da Faber Castell para divulgação dos seus materiais de pintura [veja aqui]).




Segue a letra:



"Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo

E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo.
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva,
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva.


Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel,
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.


Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul,
Vou com ela, viajando, Havai, Pequim ou Istambul.
Pinto um barco a vela branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul.

Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená.
Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar.
Basta imaginar e ele está partindo, sereno, indo,
E se a gente quiser ele vai pousar.


Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida.
De uma América a outra consigo passar num segundo,
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo.


Um menino caminha e caminhando chega no muro,


E ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está.
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar,
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar.
Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar.


Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá.
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá.


Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo (que descolorirá).
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo (que descolorirá).
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo (que descolorirá)."

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